“i thought i was special…”

É curioso como crescemos cercados de ilusões. Talvez seja por isso, hoje mais do que ontem, a fé faça tanto sentido — porque, no fim, o que nos sustenta é a capacidade de acreditar.

Quando somos crianças ou jovens, é fácil se deixar levar: somos convencidos, iludidos, encantados. Há uma leveza nisso, uma beleza até. Mas, à medida que a inocência se desfaz e o entendimento chega, algo muda. O que antes fascinava já não convence mais, e o mundo ganha um certo peso — uma melancolia silenciosa.

Depois de conhecer o real e o ilusório, a vida passa a se revelar como um eterno livro didático. A cada dia — ou a cada fase, dependendo do ritmo de cada um — novas páginas se abrem, trazendo aprendizados. E, nesse processo contínuo, aquilo que parecia verdade ontem se transforma em passado, em algo já superado.

Talvez crescer seja exatamente isso: aprender, desaprender e seguir, mesmo quando já não é tão fácil acreditar como antes.

E é curioso – quase invejavél – a maneira como alguns se cegam ou decidem ignorar certas mudanças e simplesmente aceitam viver naquilo que intrinsecamente não lhes faz sentido. Aceitar uma existência na qual não se acredita é algo que não consigo compreender. Ainda assim, talvez seja justamente isso que lhes dá uma certa sensação de serem especiais.

No fim quem sabe, tudo se resume a escolhas silenciosas: há quem feche os olhos, quem aceite sentidos que não lhe pertencem e quem insista em questionar o próprio caminho. Entre a lucidez e o conforto da ilusão — muitas vezes moldados pelas pressões da própria realidade — cada um constrói a sua forma possível de existir. E talvez seja nesse processo, mais do que revelar, que a realidade acabe por moldar e manipular aquilo que pensamos ser.



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